Aprenda mais sobre a foliculite

A pele humana é constituída por diferentes estruturas, é dividida em camadas: derme, epiderme e a hipoderme, sendo que, nesta ordem, uma é mais profunda do que a outra.

É na derme que se encontram as estruturas pelas quais este texto se interessa, isto é, os folículos pilosos, que é a estrutura capaz de produzir os fios de cabelo e pelos presentes na maior parte do corpo, salvo as palmas das mãos, peito dos pés e regiões mucosas.

Os folículos pilosos são constituídos por outras três estruturas que participam do crescimento dos fios, a saber: bulbo, bainhas e glândula sebácea. Assim, os folículos pilosos têm sua função associada com a produção de sebo e oleosidade além da produção do pelo.

Cada fio de pelo ou de cabelo sai de um folículo piloso, a quantidade de folículos que uma pessoa tem é determinada logo durante a vida embrionária, consequentemente, é durante o desenvolvimento embrionário que se define a quantidade de pelos e cabelos que irão nascer nos folículos.

Dessa forma, a foliculite está relacionada a estas estruturas supracitadas.

É bastante comum e às vezes passa despercebida, sendo considerada apenas uma reação após depilação, por exemplo. Quando o pelo é retirado, o folículo fica exposto, tornando esta uma área vulnerável para microorganismos penetrarem.

Muitas mulheres após raspar os pelos da virilha, pernas ou axilas desenvolvem pequenas estruturas similares a uma espinha ou pelo encravado, o que causa desconforto ao depilar-se e incômodo estético.

Não diferentemente, os homens passam por mesma experiência após fazerem a barba, é comum que na região do pescoço ou mandíbula apareçam pequenos caroços ou espinhas inflamadas, principalmente quando a barba é feita diariamente e com lâminas reutilizadas.

Em síntese, o presente texto se objetiva a explanar sobre o que é a foliculite, quais as possíveis causas, como diagnosticar, quais os sintomas e como tratar esta condição da pele.

 

 

 

 

O que é foliculite

foliculite pele

Consiste em uma infecção do folículo piloso por bactérias, a bactéria mais comum causadora da foliculite é o estafilococo, recebe assim o nome “foliculite estafilocócica“.

No entanto, há outros diversos tipos de foliculite menos comuns, a saber: foliculite gram-negativa, foliculite da banheira quente, foliculite pitiroscópica, sycosis barba e foliculite eosinofílica.

Em todos os tipos, tanto a pele como o couro cabeludo podem ser afetados, podendo ainda ser do tipo superficial ou profunda. A foliculite superficial é uma infecção apenas da parte superior do folículo, já quando a infecção é em uma área mais profunda, pode haver maiores complicações e assim, requer tratamento especial.

Pode acometer homens e mulheres de qualquer idade, mas há alguns fatores que influenciam na predisposição à foliculite, isto é, condições médicas em que o paciente adquire baixa imunidade, como diabetes, HIV e leucemia e outras condições como acne; dermatite; obesidade; alterações hormonais; retenção de calor.

 

 

 

 

Causas

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A causa mais comum da foliculite, como já fora mencionado anteriormente, é a infecção pela bactéria estafilococo (Staphylococcus aureus), mas também há ocorrência de infecção dos folículos pilosos por fungos ou vírus.

Mas para que os microorganismos causadores da infecção entrem em contato com os folículos pilosos, é preciso que haja uma brecha para este contato, pois algumas bactérias, como o estafilococo, vivem na superfície da pele sem causar nenhuma complicação, a não ser quando entram em contato com camadas interiores. Assim, as práticas mais comuns que contribuem com a causa da foliculite são:

-Uso de roupas apertadas que causam irritação;

-Sudorese exacerbada que aumenta a oleosidade;

-Depilação com lâminas;

-Presença de acne;

-Lesões ao barbear;

-Baixa no Sistema imunológico;

Outras lesões sobre a pele.                                                                          

Como já fora mencionado anteriormente, além da foliculite estafilocócica, existem outros tipos de foliculite, como a chamada “foliculite da banheira quente”, que é causada por bactérias que se reproduzem em meios aquáticos cujos níveis de pH são regulados, como as banheiras de hidromassagem, por isso o nome dado a este tipo.

A foliculite gram-negativo é causada por uso de antibióticos de longo prazo, acomete pacientes em tratamento de acne, pois tais antibióticos podem interferir na homeostase da pele, tornando o ambiente propício para as bactérias gram-negativas se reproduzirem.

Há, ainda, a foliculite pitiroscópica, cujo agente causador é um fungo, este tipo é mais comum em adolescentes. O sycosis barba, por sua vez é o nome do tipo de foliculite que ocorre após barbear. A foliculite eosinofílica, por fim, é o tipo de infecção que acomete portadores do vírus HIV, não é causada por mesmo vírus, mas imagina-se que seja pelo mesmo fungo causador da pitiroscópica.

 

 

 

 

Sintomas

o que é foliculite

A sintomatologia da foliculite envolve pequenas espinhas muitas vezes escritas como bolhinhas, podendo ser apenas vermelha ou ainda, conter pus; a pele pode se apresentar inflamada e avermelhada; coceira e maior sensibilidade.

Nos casos mais graves, em que a infecção e mais profunda, podem aparecer furúnculos, que doem, podem causar febre e possuem maior quantidade de pus, quando a lesão é muito aumentada, é provável que fique uma marca de cicatriz.

As regiões mais afetadas são barba, pescoço, queixo, virilha, nádegas, pernas e couro cabeludo.

Na consulta com o dermatologista, é preciso descrever todos os sintomas e além dos sinais cutâneos, discriminar as situações prévias do aparecimento da foliculite, a saber: quando surgiu, ocorrências anteriores, pelos encravados na mesma região, outras doenças de pele, banhos quentes em banheira, utilização de medicamentos, procedimento estético, depilação.

 

 

É através da avaliação clínica e da anamnese que é feito o diagnóstico, podendo ser necessário realizar exames laboratoriais para investigar o agente causador, isto é, se é bactéria, vírus ou fungo, de acordo com a recomendação médica.

 

 

 

Tratamento da foliculite

O tratamento é definido dependendo do tipo de foliculite. Vale lembrar que os tipos se diferem pelo agente causador e pela gravidade dos sintomas.

Para tratar a foliculite estafilocócica, indica-se um antibiótico via oral, de uso tópico, isto é, passado diretamente sobre a superfície da pele, ou ainda, pode-se associar os dois tipos de tratamento.

É necessária a administração de antibiótico para eliminar a bactéria causadora, quando usado por via oral, eliminam-se as bactérias que conseguiram chegar ao interior da pele e usa-se o antibiótico tópico para eliminar as que vivem presentes na superfície da epiderme, evitando que estas também consigam penetrar mais profundamente.

A foliculite da banheira quente, por sua vez, é raramente tratada com antibióticos, sendo mais comum o tratamento com uso de cremes, pomadas e loções que aliviam a coceira.

Já a foliculite pitirospórica, que é o tipo causado por fungos, é tratada com antifúngicos orais ou tópicos para eliminar a população de fungos na pele que estão causando a infecção.

A foliculite mais grave, a qual pode se transformar em furúnculos, é tratada inicialmente com a drenagem da excreção e então, medicamento para alívio da dor e da febre, podendo ser necessária a administração de antibióticos.

Em relação aos casos de foliculite gram-negativa, por sua vez, o tratamento indicado envolve principalmente antibiótico tópico. Vale lembrar que este tipo é causado pelo uso de antibióticos orais em longo prazo e por isso raramente se recomenda administrar outro antibiótico oral.

Nos casos de foliculite que acometem pacientes portadores de HIV, o tratamento inclui, geralmente, esteróides tópicos e anti-histamínicos (antialérgicos) por via oral. Outro tipo de paciente que requer maior atenção são as grávidas, alguns produtos tanto tópicos como orais devem ser administrados com observação médica, pois podem gerar alergia ou alguma complicação durante a gestação.

Da mesma forma, os pacientes que se encontram em tratamento de outra condição médica devem ter cuidado com as substancias medicamentosas, pois algumas substâncias em concomitância com outras podem causar reações adversas.

Por fim, nos demais casos, o tratamento é baseado nos cuidados caseiros, que são indicados não só como tratamento, mas também como medida preventiva, que envolvem a higienização da área afetada, bem como a higienização adequada antes de barbear ou depilar, esfoliação da pele, compressas mornas, massagens leves nas regiões afetadas, ter preferência por barbeadores elétricos às lâminas, escolha consciente do local de depilação.

Dessa forma, não se deve iniciar um tratamento com antibióticos orais sem prescrição médica. Muitos pacientes possuem algum antibiótico em casa e decidem reutilizá-los em casos de foliculite, mas deve-se ter cuidado com a automedicação e não se deve interromper o tratamento, pois o agente causador pode se tornar resistente ao medicamento.

 

 

 

 

Por fim…

foliculite dermatologiaEm suma, a foliculite é um pequeno problema que pode ser considerado como cotidiano, pois surge a partir de práticas rotineiras e com o mundo contemporâneo acelerado, pouco se cuida de lesões na pele.

No entanto, por mais rotineira que esta condição seja, é preciso atenção para que não se torne um problema maior e que interfira nas atividades diárias. Com os cuidados necessários, a foliculite se resolve dentro de poucos dias.

Para tanto, qualquer complicação mais preocupante, é interessante visitar o dermatologista, pois muitos pacientes se automedicam, podendo causar maiores complicações dependendo do tipo de foliculite ou ainda, este paciente pode cometer negligência a respeito de outra condição adversa.

Vale ressaltar, por último, a importância da consulta para pacientes grávidas, pacientes portadores de HIV, pacientes em tratamento de outras doenças.

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