Vitiligo: Aprenda mais

Atualmente no Brasil, cerca de três milhões de pessoas têm vitiligo. Este índice corresponde a cerca de 1,5% dos habitantes brasileiros. Já em uma abrangência global, o índice é de que, aproximadamente, 1% de toda a população mundial tem vitiligo.

O dia nacional dos portadores de vitiligo é todo primeiro de agosto, uma data dedicada à conscientização e luta contra o preconceito. Hoje em dia, o preconceito em relação aos portadores de vitiligo diminuiu consideravelmente, porém é preciso enfatizar e desmitificá-la.

Muitas crianças que têm vitiligo sofrem bullying na escola, o que pode desencadear problemas de autoestima, segurança e problemas sociais. Por isso, é necessária a conscientização, isto é, compreender sobre a doença para que não haja discriminação.

O mundo artístico também contribui com a conscientização, tempos atrás provavelmente não se consideraria que no mundo da moda poderia ter uma representante forte que tivesse vitiligo.

Atualmente, umas das maiores referências em beleza, atitude e irreverência é a modelo canadense Winnie Harlow, que foi diagnosticada aos quatro anos de idade, sofreu bullying e hoje, realiza desfiles e palestras levantando a bandeira da causa.

O presente texto se propõe à explicação do que se trata o vitiligo sob um olhar dermatológico, apontando as causas, sintomas e quais os possíveis tratamentos para o mesmo.

 

O que é vitiligo

É entendido como uma doença cuja principal característica é a despigmentação de algumas áreas da pele, surgindo manchas mais claras do que o tom natural da pele.

Esta doença pode afetar indivíduos de qualquer idade e considera-se mais comum no sexo feminino, no entanto este dado pode ser considerado devido à maior procura por tratamento pelas mulheres e menor pelos homens, principalmente por razões estéticas.

Não demonstra preferência racial, isto é, todos os tipos de pele podem desenvolver a doença, não há predisposição racial. Não é contagioso e não afeta outros sistemas orgânicos além da pele.

Devido às manchas aparentes, é provável que haja interferência na autoestima e na sociabilidade, ou seja, o âmbito psicológico e afetivo do paciente está intimamente relacionado com o vitiligo.

 

Causas

exemplos de vitiligo na pele

A despigmentação da pele está relacionada à redução ou ausência de células que produzem e armazenam a melanina. Estas células recebem o nome de melanócitos. Portanto, quando há ausência destas células em algumas regiões, ocorre a despigmentação justamente por causa da falta de melanina produzida no local.

Muitas vezes o vitiligo se desenvolve após um evento traumático, como luto pela morte de um ente próximo, divórcio, grande estresse emocional. Em crianças, principalmente, a doença tenha este teor psicológico e emocional.

A causa específica é, ainda, desconhecida, mas há teorias de que o fator genético é importante, ou seja, na própria inscrição genética existe a predisposição em baixa produção de melanina ou ausência dos melanócitos.

Há, ainda, teorias que defendem que ocorre no organismo um processo autoimune, em que o próprio organismo elimina os melanócitos, ocasionando a baixa produtividade de melanina e assim, desenvolve a doença.

Em relação ao processo autoimune, também existe a possibilidade de outras doenças provocarem tal processo, como o lúpus, a anemia e doenças da tireóide.

 

Sintomas

foto de vitiligo

A principal característica do vitiligo são as manchas mais claras na pele, estas manchas são irregulares, podem ter uma coloração rosada nos indivíduos de pele branca, podendo, ainda haver despigmentação capilar, aparecendo mechas brancas no cabelo.

Além da característica visual, há possibilidade de característica sensorial, isto é, muitos pacientes relatam dor e sensibilidade nas áreas com manchas.

As áreas mais comumente afetadas são axilas, cotovelos, em volta da boca, pálpebras, em volta do nariz, nas juntas dos dedos ou no joelho. No entanto, ao longo do desenvolvimento da doença, pode-se abranger grande parte do corpo.

Há dois tipos de vitiligo, cada qual com características próprias:

Segmentar ou unilateral: este tipo acomete principalmente os pacientes mais jovens e os sintomas são as manchas em apenas um lado do corpo, podendo haver despigmentação em mechas de cabelos também.

Não segmentar ou bilateral: as manchas aparecem em ambos os lados, aparecendo inicialmente nas extremidades do corpo, ou seja, nas mãos, nos pés, na face. As manchas podem aparecer continuamente, havendo, porém, períodos em que cessam e períodos em que se desenvolvem rapidamente.

Para fins diagnósticos do vitiligo, os sintomas visuais são suficientes, porém alguns exames podem ser exigidos, como um exame de sangue para detectar presença de doenças autoimunes. O diagnóstico é feito por um dermatologista e quanto antes a doença for diagnosticada, melhores serão as respostas ao tratamento.

 

Tratamento

O tratamento de vitiligo baseia-se na indução de repigmentação da pele através do uso de medicamentos de uso tópico e oral à base de corticóides e inibidores de calcineurinas. Em alguns casos utilizam-se tecnologias de laser e, ainda, pode ser necessário realizar cirurgia, neste caso para transplantar as células produtoras de melanina.

Os corticóides são hormônios esteróides que são produzidos naturalmente no organismo através das glândulas suprarrenais, têm a função de assimilar proteínas e outros elementos nutritivos, tem ação imunológica e indicado, pois sua atuação está associada ao processo autoimune, conseguindo reorganizar a função dos melanócitos devido à atividade contra os anticorpos que eliminam as células. Os efeitos adversos incluem perda de cabelo, ganho de peso, estrias e atrofia da pele.

A administração de cremes à base de corticóide é indicada para os casos cujas manchas já atingiram cerca de dez por cento do corpo, este tipo de produto não pode ser usado na pele da face. É preciso que durante o tratamento com esta substância, o paciente visite o dermatologista com a frequência de pelo menos, uma vez ao mês para que possa verificar as respostas e possíveis efeitos adversos.

O corticóide oral, por sua vez, é administrado apenas em alguns casos sob orientação médica, pois os efeitos colaterais podem ser muito desagradáveis.

As calcineurinas são proteínas dependentes do cálcio, que estão presentes em diversas células, principalmente as células linfócitas, que são relacionadas ao sistema de defesa do organismo. Assim, os inibidores de calcineurinas atuam diminuindo a ação destas proteínas e assim, diminuem também a ação dos linfócitos contra o próprio organismo. Dessa forma, os inibidores de calcineurina agem no processo autoimune.

Os medicamentos inibidores de calcineurinas são indicados isoladamente ou em associação com o corticóide, tem mostrado eficácia e preferência das prescrições, pois diferentemente do corticoide, esse medicamento não causa atrofia da pele. Pode ser administrado tanto via oral como tópica, os principais inibidores de calcineurina são o pimecrolimus e o tacrolimus.

Outro tipo de tratamento de vitiligo que pode ser associado aos medicamentos tópicos e orais é a fototerapia, por exemplo, que consiste na exposição solar por causa dos raios ultravioletas, capazes de estimular a produção de melanina; procedimentos com laser excimer também agem de forma similar ao raio UVB, pois este laser atua sob uma onda de luz similar à onda UVB.

A intervenção cirúrgica, por sua vez, é indicada para pacientes com lesões mais graves, é mais utilizado nos Estados Unidos e consiste no transplante de pele, também chamado de enxerto, em que se substituem as células acometidas com vitiligo pelas saudáveis.

O tratamento fitoterápico também pode auxiliar na repigmentação da pele, como a planta do cerrado mama-cadela, cujo nome científico é Brosimum gaudichaudii, possui na casca de sua raiz princípios ativos capazes de estimular a repigmentação da pele. Podendo ser utilizada através de cremes e loções ou na sua forma mais natural através de chás.

Como a vitiligo é uma doença com características estéticas, é sempre recomendável o tratamento psicoterápico também, tanto para que sejam trabalhados os aspectos emocionais, sociais e de autoestima, como para investigar e tratar os estresses e traumas que possam ter desencadeado a doença.

Além de todo o tratamento, é importante ter alguns cuidados, como o uso constante de proteção solar, uma vez que a região despigmentada fique mais fotossensível, o uso do protetor solar é indicado, inclusive durante a fototerapia.

Recomenda-se, ainda, realizar exames imunológicos periodicamente. Em relação às proibições, pode-se usar maquiagem, mas sempre com cautela observando as substâncias componentes do produto.

Pessoas com vitiligo são proibidas de fazer tatuagem, pois a pele afetada é muito sensível e a prática é muito agressiva, além disso, a tatuagem pode desencadear aparecimento de novas manchas, devido ao chamado fenômeno de Köebner. Tal fenômeno também ocorre a partir de picadas de insetos, irritação na pele, alergias e outras lesões.

 

Por fim…

Em suma, o vitiligo é uma doença que pode acometer todas as idades, sexo e etnia. Um dos preconceitos em relação à doença é de que pode ser passada entre pessoas, porém não é contagiosa, pois sua causa é a nível celular, é preciso combater este e outros preconceitos e discriminação deste tipo contra as pessoas portadoras do vitiligo. Apenas a pele é afetada, de forma que esta doença não contenha complicações maiores, salvo a nível psicológico e emocional.

Procurar o tratamento precocemente pode reverter a doença em quase cem por cento, por isso, deve-se procurar o dermatologista nos primeiros sinais para determinar o tratamento adequado e, posteriormente, procurar um psicoterapeuta para a elaboração das questões emocionais relacionadas ao vitiligo.

 

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